EXERCÍCIO: ENTREVISTA COM MARCELLO AMALFI- DECISÕES EM PROCESSOS CRIATIVOS E SONORIDADES, POR GABRIELA MATOS

                       Durante entrevista, o convidado Maestro Marcello Amalfi, deu detalhes sobre sua trajetória na música, ele conta como ainda jovem a música passou a ter uma dimensão cênica outra em sua vida. Em São Paulo, o maestro conheceu algumas figuras importantes na cena brasileira como José Celso Martinez, Antônio Abujamra e Ismael Ivo, que ajudaram em sua formação.

                        Sobre o processo criativo em teatro, permeado pelas sonoridades, observa-se que existem, pelo menos, dois tipos de caminhos para a música: A primeira leva em consideração o processo de adicionar a música a uma peça e o outro leva em conta uma série de parâmetros musicais que compõem, ou seja agregam, uma composição sonora em um espetáculo. Com isso em mente, percebe-se que '' uma música não é só uma música. O personagem é a música, o corpo da música, é o corpo da personagem, em uma montagem'' (AMALFFI, Em entrevista do dia 18/03/2021)

                        Ambos alteram a percepção de um espetáculo- logo que uma sonoridade surge em uma cena, a dinâmica dos atores muda-, a principal diferença é que na segunda há uma noção mais apurada de qualquer som que se coloque em cena.

                         Esse aumento de possibilidades em relação ao som, nos leva a diversos recursos musicais e poéticos, como bem exemplificado por Amalfi; e que devem ser levados em consideração em uma montagem. Comentando sobre elas, temos um exemplo interessante; ao trabalhar na música de um espetáculo, Amalfi percebeu que em uma semana de ensaio, a qual ele não tinha estado presente, algo havia mudado entre a entrada da personagem em cena e o começo de sua música. Sua música não era somente uma base de referencia para o ator, mas uma base que acompanhava a evolução dramática da cena.

                          Sobre a unicidade da música, devesse compreender que a proposta cênica deve contrastar, na perspectiva do Maestro - e minha também-, com o elementos da montagem.

                           A ''entrada do rei'' em cena é mais um exemplo que Amalfi usa para correlacionar processo criativo e níveis de refinamento que a sonoridade deve ter. Um rei que entra em cena, com toda sua majestade, não depende somente da circunstancia de ser um rei, a música que o acompanha  deve ser capaz de captar e de alimentar os estados emocionais dentro da linha cênica em que o rei entrará. Além disso, durante o processo, devesse perguntar se esse rei é um bobalhão; se entra para provocar terror e pânico? Qual o público que irá consumir essa peça, são crianças?

                            Enfim, há uma serie de dinâmicas, que devem ser levantadas. Mas, pessoalmente, ficou claro, que devemos nos questionar, até que ponto as sonoridades se tornam um reforço das características do personagem e até que ponto isso equilibra ou deixa de equilibrar a composições de nuances cênicas.


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