Entrega de Exercício - Entrevista com Marcello Amalfi (Gabriel Rodrigues)

  Após quase duas horas de entrevista, é praticamente impossível trazer apenas um ponto de interesse acerca do conteúdo trazido por Marcello Amalfi. Apesar disso, acredito que nada tenha me capturado mais o interesse do que suas falas acerca da “obviedade do som”, em que ele usa o exemplo do rei entrando em uma sala do trono.
Para início de conversa, o que é o óbvio? É aquilo que salta aos olhos, que é praticamente impossível de não se ver ou de se notar, e isso também entra no campo musical, mas não se limita a ele, pois também vai ao campo sonoro generalizado. O óbvio é a famosa “caixinha” que artistas querem tanto evitar mas acabam por cair muitas vezes.
Qual o real problema com o óbvio? De acordo com a opinião de Amalfi, é uma ofensa à inteligência do publico e eu não conseguiria concordar mais. A obviedade é algo que obriga o publico a entender tudo como se fosse um cavalo com uma viseira, só podendo ver aquilo que o cavaleiro quer que ele veja.
Pelo método comparativo, me faz lembrar dos antigos seriados humorísticos muito famosos das décadas de 50 até 90 (e um pouco dos anos 2000) como Chaves, Um Maluco no Pedaço e Friends, que utilizavam sons de risos e aplausos pré-gravados, como se quisessem dizer “ria dessa piada”, ou “aplauda essa atitude”. Se formos ainda mais atrás, temos a técnica do distanciamento épico no teatro brechtiano, que utilizava placas como forma de não permitir que o público tivesse plena imersão ao espetáculo. Isso acaba por minar totalmente a intenção daquela obra, seja teatral ou apenas uma obra audiovisual simples, visto que é apenas “mais do mesmo” e parece não ter um cuidado específico.
Tendo em vista esses pontos, acredito que é de vital importância tomar cuidado com as obviedades, já que o som também conta uma história e, aqui entre nós, uma história que pode ser completamente diferente daquela sendo exibida pelo meio visual. Como também citado por Amalfi, podemos ter uma dissonância sonora daquilo que está sendo exibido, já que assim podemos evidenciar algum conflito interno que o personagem esteja tendo, ou algum estado que esteja relacionado com a situação.
Com isso em vista, podemos entender que o sonoplasta, cancionista ou técnico de som no geral não é apenas um sujeito que está ali para colocar uma musiquinha bonita ou sons de fundo, mas sim um roteirista e um artista por si só, que deve pensar sua própria dramaturgia que complemente aquela que está sendo apresentada de base.

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