Após quase duas horas de entrevista, é praticamente impossível trazer apenas um ponto de interesse acerca do conteúdo trazido por Marcello Amalfi. Apesar disso, acredito que nada tenha me capturado mais o interesse do que suas falas acerca da “obviedade do som”, em que ele usa o exemplo do rei entrando em uma sala do trono. Para início de conversa, o que é o óbvio? É aquilo que salta aos olhos, que é praticamente impossível de não se ver ou de se notar, e isso também entra no campo musical, mas não se limita a ele, pois também vai ao campo sonoro generalizado. O óbvio é a famosa “caixinha” que artistas querem tanto evitar mas acabam por cair muitas vezes. Qual o real problema com o óbvio? De acordo com a opinião de Amalfi, é uma ofensa à inteligência do publico e eu não conseguiria concordar mais. A obviedade é algo que obriga o publico a entender tudo como se fosse um cavalo com uma viseira, só podendo ver aquilo que o cavaleiro quer que ele veja. Pelo método comparativo...
Na entrevista com Marcello Amalfi, tivemos oportunidade de conhecer sua trajetória em um meio ainda não muito difundido academicamente e de ter um breve contato com seu entendimento macro-harmônico (como em seu livro) da relação entre música e cena. No encontro, Marcello enfatizou a importância da maneira como é construído o processo que as relaciona, sobre o momento no qual a trilha é feita - a importância do timing - para o espetáculo. Amalfi contou sobre como, tantas vezes, o processo é encurtado e a trilha acaba por ser acrescida tardiamente aos ensaios e desenvolvimento da peça, o que prejudica a dinâmica que ocorre (ou que poderia possivelmente se dar) entre a música e todos os outros elementos cênicos, como se a trilha ficasse, de certa forma, deslocada nessa equação. Na concepção e experiência do maestro, todos os elementos devem estar em conversação, pois como ele mesmo colocou: "O som altera o espaço." Como em experiência que teve...
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